A brutalidade é marca registrada do Estado Islâmico. Um exército de terroristas que controla
uma faixa vasta de território no Oriente Médio - e que tem como maior objetivo
eliminar quem não pensa como eles.
Em junho de 2014, o mundo foi surpreendido com a
notícia de que um grupo extremista havia ocupado Mosul, a segunda maior cidade
do Iraque. Era o até então pouco conhecido Estado Islâmico.
Estado porque seu líder, Abu Bakr al- Bagdadi, declarou que as áreas que
ocupava na Síria e no Iraque formavam agora um califado, um sistema de governo
da época de Maomé, mais de 1,3 mil anos atrás.
Ao fazer uso de uma interpretação muito particular da religião, o Estado
Islâmico prega um islamismo distorcido, ultrarradical e totalitário porque quer
impor seu modo de pensar a todos os países do mundo. Se diferencia ao usar as
redes sociais como nenhum outro grupo terrorista na história. Além de se
comunicar em inglês e outras línguas estrangeiras para fazer propaganda e
convocar militantes.
O integrantes do Estado Islâmico chocaram o mundo com uma sequência de crimes
bárbaros: decapitaram jornalistas, funcionários de agências de ajuda
humanitária, reféns estrangeiros e queimaram vivos prisioneiros. Perseguiram
minorias religiosas e étnicas. Na primeira grande matança, assassinaram cinco
mil homens da comunidade yasidi. As mulheres da comunidade foram estupradas e
vendidas como escravas.
O Estado Islâmico é bem armado e age como um exército. As armas são compradas
com dinheiro de sequestros, venda de petróleo nas áreas ocupadas e roubos a
bancos.
“É bem provável que parte do debate do G-20 comece a se concentrar em como
coibir o fluxo de dinheiro pros grupos terroristas de modo a garantir que esses
terroristas percam a sua fonte de financiamento e, portanto, não consigam
perpetrar ataques dessa magnitude como a gente viu emParis”, diz Guilherme Casarões, professor de Relações
Internacionais da Fundação Getúlio Vargas-SP.
O conflito se internacionalizou. Dezenas de países formaram uma aliança para
combater o Estado Islâmico, principalmente com bombardeios aéreos. Com isso, o
Estado Islâmico perdeu 25% do território que chegou a dominar. Os serviços de
inteligência americanos estima que o grupo tenha entre 20 mil e 32 mil
combatentes. Mas eles dizem que são mais de 200 mil. São militantes extremistas
de vários países que entraram no grupo como voluntários ou forçados.
O Estado Islâmico é difícil de ser combatido. Tanto nas áreas ocupadas no
Oriente Médio, como quando pratica atentados terroristas como o da França.
“As estratégias utilizadas, o ataque que remete muito a táticas de guerrilha,
de gente que está muito bem treinada nisto. É gente que passou por situações de
combate, que sabe tomar um prédio, que sabe se defender contra a reação da
polícia, sabe utilizar armas com precisão e mais ainda, além de fazer tudo
isso, estão dispostos a morrer”, afirma Salem Nasser, professor de Direito
Internacional da FGV-SP..