A Polícia Federal possui 26
inquéritos policiais abertos em Fortaleza para investigar crimes de tráfico
humano. Para a delegada da PF, Juliana Pacheco, o número é expressivo, mas está
aquém do volume real de crimes, porque, afirma, as pessoas ainda não denunciam.
"Melhorou muito com a novela Salve Jorge, mas esses números de denúncia já
caíram. Então é muito importante denunciar. A vítima também é bom que saiba que
a prostituição não é crime. O que é crime é a exploração da prostituição",
esclareceu.
A delegada defende que a Polícia
Federal tem intensificado o combate a esse tipo de crime, com capacitação e
pessoal. "O tráfico de pessoas é a escravidão dos tempos modernos. É
inadmissível que em pleno século 21 ainda exista esse tipo de crime que faz da
mulher objeto. Ele só fica atrás do tráfico de drogas e de armas. Isso são os
números ocultos, porque na verdade é muito maior. A mulher pode ser
explorada muitas vezes", denuncia.
Vulnerabilidade
Sobre a dificuldade de investigar e combater crimes de exploração da mulher, a
delegada aponta a situação em que a vítima é colocada. "A vítima não fala.
Ela está numa situação vulnerável, então às vezes quando ela quis ir para a
Europa - estava se prostituindo aqui e quis se prostituir lá -, só que não
imagina que quando chega lá tem retido passaporte, não consegue sair. Então
percebe que está num cárcere privado, e não quer nem contar para a própria
família da situação em que está vivendo", relata.
Para denunciar, a Polícia Federal disponibiliza canal na internet. É
possível ainda denunciar pelo disque 100 ou 180, a quem preferir, de forma
anônima. No Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza, a denúncia
pode ser feita na Polícia Federal ou no Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de
Pessoas.