Interrogado nesta quarta-feira (27) em audiência de
interrogatório dos envolvidos no caso do ex-vereador da Câmara Municipal de
Fortaleza Antônio Farias de Souza, mais conhecido como “A Onde É”, o réu
Claudemir da Silva Veras, que foi chefe de gabinete do então parlamentar, confessou
a prática do crime de peculato.
Ele também confirmou que o dinheiro desviado da
remuneração de assessores parlamentares era sacado por ele e depois repassado a
Antônio Farias, conforme denúncia do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE). As sessões são presididas pelo juiz titular
da 18ª Vara Criminal, Ireylande Prudente Saraiva.
A instrução do processo começou no dia 18 deste mês
e, segundo o titular da 18ª Promotoria de Justiça Criminal, promotor de Justiça
Marcus Amorim, foram ouvidas quase 30 testemunhas. “Não somente Claudemir
confessou a prática do crime, como também parentes dele admitiram que nunca
trabalharam no gabinete de Antônio Farias, embora figurassem como assessores
parlamentares”, afirmou o promotor. E acrescentou: “Ao ser interrogado, Antônio
Farias negou a acusação e insinuou que Claudemir gerenciava sozinho o esquema”.
Quanto ao questionamento da defesa do réu “A Onde
É”, a respeito da legalidade da colaboração premiada de Juarez Freitas de
Souza, o promotor de Justiça Marcus Amorim reitera que o procedimento foi
totalmente regular, tendo o colaborador sido assistido pela Defensoria Pública
e o acordo sido homologado pelo Juízo da 18ª Vara Criminal.
A ação criminal contra o vereador “A Onde É” surgiu
após uma série de apurações realizadas inicialmente pela Procuradoria dos
Crimes contra a Administração Pública (ProcaP) referentes à suposta compra de
apoio parlamentar em troca de emendas, ainda na gestão da ex-prefeita Luizianne
Lins.
Mas, depois de algumas diligências e medidas
judiciais, por não se tratar de autoridade com foro privilegiado, o caso
envolvendo especificamente o ex-parlamentar Antônio Farias, referente ao desvio
de remuneração de “assessores fantasmas”, foi desmembrado da investigação
original e repassado para a 18ª Promotoria de Justiça Criminal. O ex-vereador e mais 14 réus
são acusados de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
As audiências seguem até o dia 29, de segunda a sexta-feira, no Fórum Clóvis
Beviláqua. Ao todo, foram intimadas 98 pessoas para depor, incluindo 13 dos 15
acusados (dois deles estão foragidos). Nesta segunda e na terça-feira (19),
deverão ser ouvidas 10 testemunhas de acusação. Os depoimentos das testemunhas
de defesa ocorrem entre os dias 20 a 26 de julho. Os réus devem ser
interrogados nos dias 27, 28 e 29 e julho.
O caso
O vereador foi preso em
flagrante no dia 26 de agosto de 2014 pelo crime de concussão,
quando tentava receber o salário de um assessor. De acordo com as investigações
do Ministério Público do Ceará (MP-CE), “A Onde É” contratava assessores
fantasmas para a Câmara Municipal de Fortaleza e se apropriava da remuneração
deles. Além disso, os assessores eram empregados como funcionários
terceirizados da Câmara.
“A Onde É” foi denunciado pela Procuradoria dos
Crimes contra a Administração Pública (Procap) e pela 18ª Promotoria de Justiça
Criminal de Fortaleza pelos crimes de concussão, peculato, lavagem de dinheiro
e organização criminosa. Além disso, uma representação junto à Câmara Municipal
de Fortaleza pediu a cassação do mandato do vereador por improbidade
administrativa.
De acordo com o promotor Ricardo Rocha, os assessores admitidos passavam os
números das contas, os respectivos cartões eletrônicos e talões de cheque
assinados em branco para o vereador e o chefe de gabinete que sacavam os
salários. Aos assessores era repassada uma quantia muito inferior ao salário
recebido.
A denúncia partiu de um dos assessores que acusou o parlamentar de forçá-lo a
entregar a remuneração por meio de ameaças e intimidação. Com a prática, o
vereador adquiriu bens incompatíveis com subsídio de um parlamentar, segundo o
MP-CE, como veículos de luxo e diversos apartamentos em bairros nobres da
capital cearense, além de terrenos na Região Metropolitana.
Cassação
e renúncia
Em outubro de 2014, o Ministério Público do Ceará entrou com uma representação
junto à mesa diretora da Câmara Municipal de Fortaleza com um pedido de
cassação do mandato do vereador por improbidade administrativa. Em fevereiro de
2015, o então presidente da Câmara, Salmito
Filho (PROS), cumpriu duas decisões judiciais e afastou o vereador “A Onde É” das atividades legislativas. Em 7 de maio de 2015, o
vereador decidiu renunciar ao cargo na Câmara Municipal de Fortaleza.