O INSS (Instituto
Nacional do Seguro Social) está revisando outros benefícios por incapacidade,
além dos incluídos no pente-fino da medida provisória 739. Segundo o presidente
do instituto, Leonardo Gadelha, não há uma orientação específica para ampliar a
revisão, mas a medida do governo pode ter motivado atenção maior a outros
casos.
Um dos focos tem
sido o auxílio suplementar por acidente de trabalho. Segundo o Sindnapi
(Sindicato Nacional dos Aposentados), aposentados que têm esse auxílio,
anterior ao auxílio-acidente, estão recebendo cartas informando que o acúmulo
do benefício com a aposentadoria é indevido e que o dinheiro terá que ser
devolvido. Em um dos casos, a cobrança é de R$ 75 mil.
Correspondência
O aposentado que
receber a correspondência deve entrar com recurso administrativo, afirma a
advogada Tônia Galleti. Porém, provavelmente será necessário recorrer à Justiça
para impedir a cobrança da dívida. "O auxílio suplementar não pode ser
acumulado com a aposentadoria, porém o INSS não pode simplesmente cobrar o
dinheiro que foi recebido de boa fé", argumenta a advogada Adriane
Bramante.
O órgão também está
revisando o benefício de 19,8 mil segurados que tiveram aumento na renda com a
revisão dos auxílios, em 2013. Segundo o Instituto, esses segurados entraram na
correção do artigo 29 por engano, pois seus benefícios são anteriores a abril
de 2002. Nesses casos, só há direito a revisão entre 2002 e 2012.
Para impedir a cobrança,
primeiro, é preciso recorrer no posto. Depois, o segurado pode ir à Justiça.
"Na ação, além de questionar a devolução, o segurado pode pedir a
manutenção da revisão, pois o benefício é alimentar e o aumento já foi
incorporado à renda", diz Galleti. Outra novidade são as cartas do
pente-fino dos benefícios por incapacidade já com data de perícia marcada. Ao
regulamentar revisão, o INSS disse que daria cinco dias úteis para agendamento
do exame.
Na mira da Previdência
Além do pente-fino
nos auxílios-doença e nas aposentadorias por invalidez, o INSS está de olho em
outros benefícios.
O órgão tem enviado
cartas aos segurados cortando dinheiro, cobrando valores já pagos ou com data
agendada para perícia, sob pena de perda do benefício.
Orientação jurídica
Segundo os
advogados ouvidos pela reportagem, em todos os casos, o INSS não pode pedir de
volta o que o segurado já recebeu ao longo do tempo que teve o benefício. A
Justiça entende que se trata de uma verba alimentar, que foi recebida de boa
fé, sem fraudes, por erro do próprio Instituto.
Redução de despesas
O INSS vem atuando
com toda a carga para reduzir as despesas consideradas indevidas ou
provenientes de supostas fraudes. A medida tem na mira também a redução do
déficit do Instituto.