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Golpistas nigerianos usam internet para extorquir mulheres apaixonadas

Brasileira achou que namorava publicitário e perdeu R$ 240 mil.

Uma viúva de meia-idade, sozinha e carente, decide procurar na internet um novo amor. Encontra um homem que parece o príncipe dos sonhos: atencioso, apaixonado e bem de vida. Só que ele está precisando com urgência de um dinheiro emprestado. Está sentindo cheiro de picaretagem nessa história?

“Eu tinha acabado um relacionamento há oito meses. Trabalho muito e estava sozinha. Falei assim: ‘Ah, pode ser que pela internet dê certo’”, diz uma mulher.

Assim começa a história de mais um coração solitário. Essa mulher é viúva, mãe de família. Os dias de juventude se foram e ela trabalha muito.

“Fui para um site de relacionamento, e lá ele apareceu e iniciou o contato”, conta a mulher.

Por e-mail e com fotos.

“Meu nome é Lucas, tenho 53 anos. Sou um viúvo com uma filha que está no colégio interno e mora longe de casa. Eu moro e trabalho no Reino Unido, em Bristol, precisamente. Trabalho numa agência de publicidade e logo, logo vou ter meu próprio negócio”, descreve o e-mail.

Ela conta um pouco da própria história, e a coisa vai ficando intensa.

“No início era uma vez por semana. Depois, todos os dias”, diz ela.

Sempre por mensagens, via computador ou telefone. Mais de uma vez ela pediu para que conversassem usando câmera.

“Aí ele falou: ‘o meu tempo está muito corrido. No momento eu não posso’”, lembra a vítima.

Um dia, o bonitão vem com uma supernotícia, o primeiro passo em direção à riqueza.

“Consegui um contrato para fazer um anúncio na TV de uma multinacional de telecomunicação, que vai ser na Nigéria. Estou tão feliz! Você está sempre nos meus pensamentos”, diz no e-mail.

“Passou-se uns dias e ele mandou uma foto: ‘olha, estou aqui no jardim do hotel, e amanhã já estou indo embora’”, conta a vítima.

É aí que a história começa a degringolar. Ele diz que o governo nigeriano baixou uma lei sobre impostos para estrangeiros. Se não pagar, vai preso.

“Me assustei um pouco, mas ele é muito convincente, muito envolvente, muito carinhoso, muito dedicado”, diz ela.

A mulher pega empréstimos. Passa a enviar dinheiro aos poucos. Mas, a cada remessa, surge um novo problema, que só pode ser resolvido com mais dinheiro.

“Ele manda uma foto pra mim dele preso”, diz a mulher.

A montagem na foto é tão tosca, que finalmente ela começa a desconfiar.

“Falei assim: ‘entrei num golpe’”, lamenta.

Golpe do namoro online é uma das variações de uma falcatrua antiga
Tarde demais. Ao longo do ano passado, ela já tinha mandado US$ 100 mil, o equivalente, na época, a R$ 240 mil.

A certeza mesmo só veio quando ela viu uma reportagem sobre esse mesmo golpe no Fantástico, três meses atrás.

“Eu falei: ‘eu sou mais uma dessa’”, diz a vítima.

Mas por que essa armação criminosa é tão bem-sucedida na internet? Por causa da fantasia, como explica o psiquiatra Cristiano Nabuco de Abreu especializado em dependência tecnológica: “Se você começa a manifestar um interesse por alguém na vida real, rapidamente ela vai confirmando ou desconfirmando as suas expectativas pessoais”, diz o psiquiatra do Hospital das Clínicas de SP. 

Pela internet é mais fácil a pessoa acreditar em um relacionamento perfeito.

“Eu simplesmente vou passando por cima de todos os elementos que possam desconfirmar a minha fantasia”, explica o psicólogo.

O golpe do namoro online é uma das variações de uma falcatrua muito antiga. Os primeiros registros são do século XVI, quando os espertinhos usavam cartas para arrumar dinheiro.

No caso dessa mulher, o que muda agora é que, em uma atitude incomum, o golpista decidiu mostrar o rosto.

Orientada por um especialista, ela jogou uma isca.

“Se você aparecer pra mim, eu tenho US$ 10 mil aqui pra você”, disse a vítima.

E lá está o tal Lucas, que agora se chama Chuks.

“Minha querida... Você tá linda!”, diz Chuks no vídeo.

Como Chuks não sabe que ela está gravando o papo, abusa da criatividade para tentar tirar mais dinheiro da vítima. Diz que investiu todo o dinheiro dela em petróleo.

“O navio que usei para transportar o produto foi capturado por militantes. Envolve muito dinheiro, na casa dos milhões. Tenho que pagar aos poucos até poder voltar ao negócio”, conta o golpista.

Dicas para não ser vítima desse golpe

A primeira: converse usando câmera.

“Se já aparecer alguns problemas técnicos, ‘ah, eu não tenho câmera, minha câmera não funciona’, já desconfie”, orienta Wandeson Castilho, especialista em segurança digital.

E cuidado com quem pede dinheiro.

“Se começar a aparecer histórias muito tristes, e que você poderia ser o salvador para se ajudar, isso é característico: é o roteiro desse tipo de crime”, alerta Wandeson Castilho.

09 de MAR de 2015 às 07:45:16
Fonte: G1
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Uma viúva de meia-idade, sozinha e carente, decide procurar na internet um novo amor. Encontra um homem que parece o príncipe dos sonhos: atencioso, apaixonado e bem de vida. Só que ele está precisando com urgência de um dinheiro emprestado. Está sentindo cheiro de picaretagem nessa história?

“Eu tinha acabado um relacionamento há oito meses. Trabalho muito e estava sozinha. Falei assim: ‘Ah, pode ser que pela internet dê certo’”, diz uma mulher.

Assim começa a história de mais um coração solitário. Essa mulher é viúva, mãe de família. Os dias de juventude se foram e ela trabalha muito.

“Fui para um site de relacionamento, e lá ele apareceu e iniciou o contato”, conta a mulher.

Por e-mail e com fotos.

“Meu nome é Lucas, tenho 53 anos. Sou um viúvo com uma filha que está no colégio interno e mora longe de casa. Eu moro e trabalho no Reino Unido, em Bristol, precisamente. Trabalho numa agência de publicidade e logo, logo vou ter meu próprio negócio”, descreve o e-mail.

Ela conta um pouco da própria história, e a coisa vai ficando intensa.

“No início era uma vez por semana. Depois, todos os dias”, diz ela.

Sempre por mensagens, via computador ou telefone. Mais de uma vez ela pediu para que conversassem usando câmera.

“Aí ele falou: ‘o meu tempo está muito corrido. No momento eu não posso’”, lembra a vítima.

Um dia, o bonitão vem com uma supernotícia, o primeiro passo em direção à riqueza.

“Consegui um contrato para fazer um anúncio na TV de uma multinacional de telecomunicação, que vai ser na Nigéria. Estou tão feliz! Você está sempre nos meus pensamentos”, diz no e-mail.

“Passou-se uns dias e ele mandou uma foto: ‘olha, estou aqui no jardim do hotel, e amanhã já estou indo embora’”, conta a vítima.

É aí que a história começa a degringolar. Ele diz que o governo nigeriano baixou uma lei sobre impostos para estrangeiros. Se não pagar, vai preso.

“Me assustei um pouco, mas ele é muito convincente, muito envolvente, muito carinhoso, muito dedicado”, diz ela.

A mulher pega empréstimos. Passa a enviar dinheiro aos poucos. Mas, a cada remessa, surge um novo problema, que só pode ser resolvido com mais dinheiro.

“Ele manda uma foto pra mim dele preso”, diz a mulher.

A montagem na foto é tão tosca, que finalmente ela começa a desconfiar.

“Falei assim: ‘entrei num golpe’”, lamenta.

Golpe do namoro online é uma das variações de uma falcatrua antiga
Tarde demais. Ao longo do ano passado, ela já tinha mandado US$ 100 mil, o equivalente, na época, a R$ 240 mil.

A certeza mesmo só veio quando ela viu uma reportagem sobre esse mesmo golpe no Fantástico, três meses atrás.

“Eu falei: ‘eu sou mais uma dessa’”, diz a vítima.

Mas por que essa armação criminosa é tão bem-sucedida na internet? Por causa da fantasia, como explica o psiquiatra Cristiano Nabuco de Abreu especializado em dependência tecnológica: “Se você começa a manifestar um interesse por alguém na vida real, rapidamente ela vai confirmando ou desconfirmando as suas expectativas pessoais”, diz o psiquiatra do Hospital das Clínicas de SP. 

Pela internet é mais fácil a pessoa acreditar em um relacionamento perfeito.

“Eu simplesmente vou passando por cima de todos os elementos que possam desconfirmar a minha fantasia”, explica o psicólogo.

O golpe do namoro online é uma das variações de uma falcatrua muito antiga. Os primeiros registros são do século XVI, quando os espertinhos usavam cartas para arrumar dinheiro.

No caso dessa mulher, o que muda agora é que, em uma atitude incomum, o golpista decidiu mostrar o rosto.

Orientada por um especialista, ela jogou uma isca.

“Se você aparecer pra mim, eu tenho US$ 10 mil aqui pra você”, disse a vítima.

E lá está o tal Lucas, que agora se chama Chuks.

“Minha querida... Você tá linda!”, diz Chuks no vídeo.

Como Chuks não sabe que ela está gravando o papo, abusa da criatividade para tentar tirar mais dinheiro da vítima. Diz que investiu todo o dinheiro dela em petróleo.

“O navio que usei para transportar o produto foi capturado por militantes. Envolve muito dinheiro, na casa dos milhões. Tenho que pagar aos poucos até poder voltar ao negócio”, conta o golpista.

Dicas para não ser vítima desse golpe

A primeira: converse usando câmera.

“Se já aparecer alguns problemas técnicos, ‘ah, eu não tenho câmera, minha câmera não funciona’, já desconfie”, orienta Wandeson Castilho, especialista em segurança digital.

E cuidado com quem pede dinheiro.

“Se começar a aparecer histórias muito tristes, e que você poderia ser o salvador para se ajudar, isso é característico: é o roteiro desse tipo de crime”, alerta Wandeson Castilho.

09 de MAR de 2015 às 07:45:16
Fonte: G1