O Ceará começa
2016 com maior probabilidade de seca para os meses de fevereiro, março e abril
deste ano. O estado tem 65% de chance de ter chuva abaixo da média histórica no
período, de acordo o prognóstico da Fundação Cearense de Meteorologia e
Recursos Hídricos (Funceme) divulgado nesta quarta-feira (20). Serão 25% para a
categoria em torno da média e apenas 10% na categoria acima da média.
Se confirmado, o Ceará entrará no maior ciclo de seca desde 1910, de cinco
anos. Outro ciclo de cinco anos de seca registrado pela Funceme ocorreu no
período entre 1979 e 1983.
"Esse é o cenário mais provável embora exista
a possibilidade menores nas outras duas categorias em torno da média e acima da
média. Mas, o cenário mais provável é termos 65% de chances é o cenário abaixo
da média", explica o presidente da Funceme, Eduardo Sávio Martins.
Ao ser perguntado se 2016 tem um prognóstico melhor
do que 2015, Martins diz que não dá para comparar. "É pior, mas não é
só o Pacífico que molda o clima da nossa região. O cenário que partimos para a
previsão é a permanência nas condições que nós temos agora no momento",
disse.
Ainda segundo a Funceme, o estado tem 10% de
probabilidade de chuva acima da média e 25% em torno da média para fevereiro,
março e abril deste ano.
Para 2015, o prognóstico foi de 64% de chuvas abaixo da média. De janeiro a
maio do ano passado, as chuvas ficaram 30% abaixo da média no estado. A região
Jaguaribana foi a mais prejudicada, com 42% de chuvas a menos, seguido de
Sertão Central e Inhamuns (-37,5%) e região da Ibiapaba (-32%). Os prejuízos
foram menores no litoral de Fortaleza (-9,2%), litoral do Pecém
(-11,9%) e litoral norte (-14,8%).
O sistema de previsão numérica foi adotado pela Funceme em 2012. Desde então, o
prognóstico só se agravou. A chance de chuva abaixo da média foi de 35% (2012),
para 45% (2013), 40% (2014) e 64% (2015). O prognóstico de 2016 é, portanto, o
pior desde então.
De acordo com o presidente da Funceme, Eduardo Sávio Martins, sobre o
prognóstico ele explica que a Funceme que o cenário segue preocupante, ou seja,
mais um ano de chuvas abaixo da média. Mesmo com as boas chuvas de janeiro que
segundo ele não existem relação com o Oceano Pacífico.
"O cenário posto para estação fevereiro a
abril é muito influênciado no que acontece no Pacífico. Nós temos hoje um
aquecimento da bacia norte do Atlântico que também influencia
negativamente aqui as chuvas na nossa região".
Para driblar mais um ano de seca, o secretário dos Recursos Hídricos (SRH),
Francisco Teixeira, disse que a economia de água deve continuar de forma rígida
até junho. “Prevendo os números preocupantes de 2016, o Governo do Estado
tomou algumas providências já no ano passado. Buscar, por exemplo, economizar
água em 10%. Conseguimos economizar muita água em Fortaleza. Mesmo entrando a
sobre taxa em dezembro. Tendemos economizar mais ainda. A nossa ideia é
economizar 10% até o meio do ano e que depender do comportamento das chuvas
vamos que medidas tomaremos em junho”, disse.
Teixeira também garantiu que o governo vai
intensificar as ações de convivência com a seca.“Vamos buscar equilibrar a
oferta da água. Só no ano passado perfuramos 1.200 poços. Vamos reinstalar
poços existentes, chafarizes, desestalinizadores e adutoras”.
Volume dos
açudes
Apesar das chuvas nos primeiros 20 dias de janeiro, segundo a Companhia de
Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), o nível dos açudes no estado segue
baixo. Os 153 açudes monitorados pela Cogerh armazenam apenas 11,9% da
capacidade nesta quarta-feira (20), menor percentual menor nível desde o início
do monitoramento da Cogerh, em 1993 - nessa época, 67 açudes eram acompanhados.