A Câmara dos Deputados concluiu na madrugada desta
terça-feira (11) a votação, em primeiro turno, da Proposta de Emenda à
Constituição (PEC) que estabelece um teto para o aumento dos gastos públicos
pelas próximas duas décadas.
O texto-base da PEC havia sido aprovado pela Câmara às 21h35 desta segunda por 366 votos favoráveis e 111 contrários, mas, na sequência, os deputados tiveram de analisar oito destaques (sugestões de alteração no texto) para concluir o primeiro turno de apreciação da proposta.
Todos os destaques apresentados foram rejeitados
pela maioria dos deputados. A análise das sugestões de alteração ao texto
original durou cerca de quatro horas.
Três destaques tinham por objetivo retirar do teto
de gastos áreas como saúde, educação e assistência social. Outro destaque
rejeitado pretendia estabelecer um limite de 5% do Produto Interno Bruto (PIB)
para o pagamento de juros e amortização da dívida da União.
Também foram derrubados destaques que pretendiam
excluir o ano de 2017 do limite de gastos e retirar da PEC o trecho das
penalidades para os órgãos que descumprirem o teto de despesas.
Antes de alterar a Constituição, a PEC ainda terá
de passar por uma segunda votação no plenário da Câmara e outras duas no
Senado.
Por se tratar de emenda à Constituição, eram
necessários os votos de, pelo menos, três quintos dos deputados (308 dos 513)
para aprovar o texto. No Senado, o governo precisará de, no mínimo, 49 votos
favoráveis.
A previsão do relator da PEC, deputado Darcísio Perondi
(PMDB-RS), é de que o segundo turno de análise na Câmara ocorra daqui a duas
semanas, no dia 24.
Tramitação
no Congresso
A PEC 241, conhecida como PEC do Teto de Gastos, foi enviada ao Legislativo por Michel Temer no primeiro semestre, enquanto o peemedebista ainda
ocupava interinamente a cadeira de presidente da República. A proposta é
considerada pelo Palácio do Planalto um dos principais mecanismos para tentar
reequilibrar as contas públicas.
A PEC define que as despesas da União só poderão
crescer, nos próximos 20 anos, até o limite da inflação do ano anterior. Na
prática, Executivo, Legislativo, Judiciário, Tribunal de Contas da União,
Ministério Público e Defensoria Pública da União não poderão aumentar suas
depesas de um ano para o outro acima da inflação registrada no ano anterior.
Em caso de descumprimento do teto, a PEC estabelece
uma série de restrições, como a proibição de realizar concursos públicos ou
conceder aumento para qualquer membro ou servidor do órgão.