A sinalização do
novo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, quanto à possibilidade de criação
de um imposto temporário para equilibrar as finanças públicas, aos moldes da
Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), desagradou o
empresariado cearense. A posição de diversos setores é de que não há mais
espaço para a cobrança de tributos.
O presidente do
Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Ceará (Sinduscon-CE),
André Montenegro, afirmou que o setor não vai aceitar uma nova CPMF.
"Aumento de imposto, nem pensar. Qualquer tributo que venha a surgir não
vai resolver o problema dos cofres públicos. A gente quer ver o corte na
própria carne, que o governo diminua seu custeio, acabe com cargos
comissionados e destrave a economia", cobrou.
Montenegro ponderou
que os empresários da construção civil não têm mais como demitir funcionários,
uma vez que dois terços do quadro pessoal já foi cortado. "Isso além das
empresas que não conseguiram aguentar e fecharam. Foram embora o corpo técnico,
a mão de obra. O governo tem que incentivar a iniciativa privada e proporcionar
segurança jurídica para que os empresários possam voltar a investir".
O empresário
defendeu ainda que o governo precisa encontrar outras formas de equilibrar as
contas públicas, que não impliquem em elevação da carga tributária, tais como
reformas trabalhistas e tributárias.
Comércio
O posicionamento é
reforçado pelo presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do
Ceará (FCDL-CE), Freitas Cordeiro. Ele avalia como preocupante a sinalização do
governo sobre um possível retorno da CPMF, classificando-a como um confisco.
"A CPMF é cruel porque tem um efeito cascata, incidindo várias vezes sobre
um mesmo produto", pontuou.
Ele questionou o
caráter transitório que o novo tributo teria, conforme sugerido por Meirelles.
"Não se iluda, porque não tem nada de provisória. O governo deve procurar
outras soluções para a crise, para melhorar o cenário econômico e estimular as
empresas. A CPMF vai contra essa lógica", argumentou.
Freitas também
criticou o caráter de políticas imediatistas, que, em sua avaliação, não
contribuem para o desenvolvimento do País no longo prazo. "As coisas não
vão ser resolvidas em alguns poucos anos. É preciso ter políticas de longo
prazo, para que se tenha uma mínima estabilidade. E as empresas não suportarão
mais um aumento da carga tributária", alertou.
Divergência
Já o presidente da
Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), Beto Studart, declarou que,
caso Meirelles apresente uma reforma dos gastos públicos do Estado, com começo,
meio e fim, o retorno da CPMF poderia ser aceitável.
"Mas que seja
uma lei que diga quando começa e quando termina. Afinal, se vier para poder
solucionar a situação econômica atual, criando uma ponte entre esse momento
ruim e um novo, para reformar o Estado, pode acontecer concomitantemente com a
reforma", avaliou.
Ele acrescentou que,
com a mudança de governo, as pessoas começam a acreditar que podem investir e
que não serão demitidas. Studart ainda prevê que, ao longo de mais um ano, será
"superada a capacidade ociosa que existe após a queda do Produto Interno
Bruto (PIB), do alto desemprego mensal, além de inflação e juros também em
alta".