Sob protesto dos servidores, a Assembleia
Legislativa do Ceará aprovou nesta quinta-feira (22) o aumento da contribuição
à Previdência Estadual por parte dos servidores. Atualmente, 11% do salário dos
servidores é destinado ao fundo, com a aprovação na Assembleia, o índice subirá
para 14%.
Dos 34 deputados presentes, 26 votaram
"sim" e oito foram contra. As galerias da Assembleia foram ocupadas
durante toda a votação por servidores que manifestaram posição contrária à
medida. "Para os trabalhadores, a medida 'corrói' o salário e é o
"pior presente de Natal que o Governo poderia dar aos servidores",
segundio Anízio Melo, do sindicado dos professores.
A medida faz parte do pacote de austeridade do Governo
do Estado do Ceará que tem projeção de economizar R$ 850 milhões por ano, tendo
vista a crise econômica no país e nos estados.
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PACOTE DE
AUSTERIDADE |
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Redução das
despesas correntes em 10%, |
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Redução de
25% do valor gasto com o |
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Redução do
número de secretarias; |
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Concessão de
equipamentos do Governo |
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Emenda
Constitucional do Crescimento |
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Aumento da
contribuição da Previdência |
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Aumento da
alíquota de ICMS (imposto |
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Suspensão do
perdão a pessoas físicas |
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Criação do
fundo de combate à corrupção, |
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Criação do
Comitê de Governança para |
Crise
econômica
De acordo com o secretário da Fazenda do Ceará, Mauro Filho, o pacote de
austeridade do Ceará inclui um teto de gastos para os próximos 10 anos e é
"necessário" para enfrentar o cenário de crise econômica nacional.
"Com o Fundo de Participação dos Estados, já
tivemos uma redução na arrecadação em R$ 476 milhões neste ano, isso sobre uma
redução que já tivemos em 2015. E os custos têm aumentado porque o Ceará é o
único estado que tem contratado nesse período de crise, principalmente na
segurança pública", justifica.
10
medidas de contenção de gastos
Dentre os tópicos do planejamento econômico está o enxugamento da estrutura
pública estadual. A Secretaria de Política Sobre Drogas, a Secretaria de
Relações Institucionais, a Casa Militar e o Conselho Estadual de Educação serão
remanejados para compor o Gabinete do Governador.
O Instituto de Desenvolvimento Institucional das
Cidades do Ceará (Ideci) será extinto e incorporado ao Instituto de Pesquisa e
Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) e à Secretaria das Cidades. O
Departamento de Arquitetura e Engenharia (DAE) deixará de existir e as suas
funções serão direcionadas para Secretaria da Infraestrutura do Estado do Ceará
(Seinfra).
Outra medida envolve o equilíbrio previdenciário,
com a atualização da contribuição previdenciária patronal de 22% para 28% e a
atualização de 11% para 14% da contribuição previdenciária dos servidores.
"É necessário que se reduza o déficit da previdência através de medidas
para garantir a segurança do trabalhador e também as contas do Estado",
observou o secretário Hugo Figueirêdo.
A sétima medida do Plano de Sustentabilidade trata
do reajuste da alíquota geral do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e
Serviços (ICMS) de 17% para 18%. "Todos os estados do Nordeste já subiram
este 1%. Vamos agora igualar", explicou Mauro Filho. A ação não terá
efeito sobre preços de combustível, energia e comunicação.
O Programa de Recuperação Fiscal (Refis) também
será suspenso para reforçar o novo planejamento. Não haverá anistia ou
reemissão de tributos devidos ao Estado nos próximos 10 anos. "Isso
premiará aqueles que pagam suas contas em dia. A medida terá efeito educacional
no Estado", destacou o titular da Sefaz.
Completam o Plano de Sustentabilidade para o
Desenvolvimento do Estado, a criação de um fundo de combate à corrupção, com
recursos oriundos de multas cobradas pela Procuradoria Geral do Estado, e a
criação do Comitê de Governança para o Desenvolvimento Sustentável, com o
objetivo de manter permanente o diálogo entre sociedade e o Poder Público.