No mês de fevereiro, as
chuvas ocorridas no Ceará representaram a metade do
volume esperado para o período, de acordo com a Fundação Cearense de
Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). A média histórica para fevereiro é
de 118.6 milímetros e a chuva ocorrida no mês passado foi de 58 milímetros, o
que representa uma queda de 51,1% no volume.
No mês de janeiro, o volume de chuva registrado no
Ceará foi o dobro da média histórica, o melhor janeiro dos últimos 11 anos.
Segundo a Funceme, a média histórica para o mês é de 98,7 milímetros; em
2016, as precipitações em janeiro em todo o estado somaram 206,5
milímetros.
Apesar do pouco volume de
chuva no Estado em 2016, em 11 dos 184 municípios cearenses, o volume de precipitações
acumuladas no mês ficaram acima da média histórica. Em Russas, por exemplo, choveu 174.6
milímetros no acumulado do mês, o que representa um volume 67,5% superior à
média do período, de 104.2 milímetros. No acumulado do mês, o maior volume de
chuva foi registrado no município de Meruoca, na Região Norte do Ceara: 243.0
milímetros, 6,7% acima da média de 227.8 milímetros.
Açudes
Atualmente, a média geral de volume de água nos 153 reservatórios monitorados
pela Companhia e que abastecem o Ceará, se mantém em 12,5%. O açude Castanhão,
maior reservatório do Ceará, sofre as consequências da estiagem prolongada.
Localizado no município de
Jaguaribara, a 260 quilômetros de Fortaleza, o reservatório tem capacidade para
armazenar 7,5 bilhões de metros cúbicos de água, mas atualmente acumula apenas
663,45 milhões, que representa apenas 9,9% da sua capacidade de armazenamento,
o pior índice desde que foi inaugurado há 12 anos, de acordo com informações da
Cogerh.
Previsão
O prognóstico da Funceme para março, abril e maio indica 70% de probabilidade
de o Ceará ter chuvas abaixo da média. As chances de haver precipitações em
torno da média é de 25% e, na categoria acima da média, 5%. O principal
fator que influencia essa perspectiva é a atuação do El Niño, que traz impactos
negativos no regime de chuvas do Estado principalmente nos meses de abril e
maio.
Além do El Niño intenso no Oceano Pacífico, as condições do Oceano Atlântico
mostram-se neutras às chuvas no Ceará, com aquecimento na parte norte e sul da
bacia. Com esse quadro, ete municípios do Ceará correm sério risco de ter
problemas no abastecimento de água este ano, segundo a Companhia de Gestão de
Recursos Hídricos (Cogerh): Pereiro, Ipaumirim, Pedra Branca, Pacoti, Uruoca,
Deputado Irapuam Pinheiro e Iracema.
“O somatório desses dados dos oceanos e de outras variáveis é que resultam na
previsão gerada pelo conjunto de modelos atmosféricos. Infelizmente não há um
quadro favorável para chuvas numa intensidade capaz de reverter os impactos que
estiagem traz ao Estado desde 2012”, explica o presidente da Funceme, Eduardo
Martins.