A greve dos
bancários vem gerando uma série de transtornos aos clientes que buscam serviços
básicos nas agências do Ceará, como depósitos em terminais de atendimentos,
pagamentos de contas ou até mesmo saques. Para não prejudicar os cearenses, os
bancos do Estado devem adaptar algumas opções dos caixas eletrônicos, como
cancelar as limitações impostas em relação a saques, não cobrar a taxa de
manutenção da conta corrente e manter a opção de depósito. Caso contrário,
serão autuados.
Os bancos devem
ainda disponibilizar pelo menos 30% do contingente de funcionários que
trabalham especificamente com serviços de compensação - de cheques em contas
correntes -, pois os clientes não conseguem efetuar a transação nos caixas
eletrônicos, diz o coordenador jurídico do Departamento Municipal de Proteção e
Defesa dos Direitos do Consumidor (Procon Fortaleza), Airton Melo.
"A lei de
greve (nº 7.783/89) especifica que deve haver um número mínimo de funcionários
para o serviço de compensação, por ser um serviço essencial. Por analogia, em
decorrência de outras categorias, o número mínimo seria de 30%, para atender a
necessidade das pessoas", explica o coordenador jurídico.
Melo ressalta que
não é necessário que haja um quadro de funcionários efetuando outros serviços
do banco, entretanto, a instituição deve oferecer algumas alternativas, para
atender a maior demanda. "A partir do momento que eles criam as
dificuldades, o consumidor deve reclamar ao Procon, que entrará com a
autuação", ressaltou o coordenador.
Direitos dos consumidores
O Procon Fortaleza
enviou, na última quarta-feira (14), uma carta à Associação de Bancos do Estado
do Ceará (Abance) e à Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), contendo
recomendações aos bancos do Estado durante o período de paralisação.
Além da proibição
do bloqueio do depósito nos caixas eletrônicos, do cancelamento das limitações
impostas em relação a saques e da proibição da cobrança da taxa de manutenção
da conta corrente, os bancos do Ceará ainda devem, durante o período de greve,
desonerar os consumidores da cobrança de quaisquer taxas referentes à devolução
de cheques; disponibilizar empregados/terceirizados para auxiliar os
consumidores; garantir o livre acesso aos caixas eletrônicos e evitar a
negativação dos correntistas.
Clientes reclamam
Com a greve dos
bancos, não é difícil encontrar clientes com dificuldades para efetuar
operações nas agências de Fortaleza. A secretária Cristiane Torres, por
exemplo, foi ontem à agência do Banco do Brasil, localizada na Avenida
Desembargador Moreira, para tentar depositar um valor e pagar contas, algo que
não conseguiu fazer na Caixa Econômica Federal.
"Estou há uma
semana com cheque para depositar e não consigo. Já fui em várias agências da
Caixa e a opção de depósito está indisponível. Além disso, não estou
conseguindo pagar umas contas porque eles também bloquearam a opção de
pagamento via débito. A gente fica sendo prejudicado", diz Cristiane.
"Daí as contas vencem e pagamos juros e multas", complementa.
Para o aposentado
Cícero Rodrigues, os problemas ainda não são muitos. Ele diz, porém, que a
situação pode se complicar se os caixas eletrônicos começarem a apresentar
falta de dinheiro. "Creio que eles darão um jeito de não acontecer",
destaca.
Balanço
Em seu décimo dia,
a greve dos bancários já fechou 396 das 560 agências existentes no Ceará, o que
corresponde a 70% de adesão. Ontem, os bancários fizeram uma manifestação no
bairro Aldeota, em Fortaleza, pedindo aos bancos melhores salários e condições
de trabalho.