Uma série de
assassinatos de candidatos domina a campanha para as eleições municipais do
próximo domingo no Brasil e provoca temores de que as tensões políticas
enveredem por territórios perigosos.
Os crimes se
concentram principalmente no Rio de Janeiro, estado onde houve 15 assassinatos
de candidatos a prefeito ou vereadores nos últimos nove meses, ainda que
grandes atentados tenham ganhado as páginas principais durante esses dias.
Um candidato à
Prefeitura de Itumbiara, em Goiás, José Gomes Rocha (PTB), e um policial foram
mortos a tiros na última quarta-feira durante carreata da campanha onde o atual
governador do estado participava, José Eiton Júnior (PSDB), que ficou
gravemente ferido.
O corpo do
candidato foi velado ontem no Teatro Municipal de Itumbiara. O agressor,
identificado como um funcionário da Prefeitura, foi morto.
Em Minas Novas
(MG), o prefeito e candidato Gilberto Gomes da Silva (PPS)foi baleado também na
quarta-feira por um motociclista, mas saiu ileso. Ontem, o presidente do
Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, prometeu impulsionar a
"investigação dos possíveis atentados políticos contra candidatos".
As Forças Armadas
vão empregar 25 mil militares para segurança e apoio logístico no primeiro
turno das eleições municipais, segundo o Ministério da Defesa. O contingente
das três forças vai atuar em 408 localidades de 14 estados definidos pelo
Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que fez a solicitação. Do total, os
militares reforçam a segurança em 307 cidades de 12 estados.
Os brasileiros irão
eleger em 2 de outubro mais de 5.500 prefeitos, em um ambiente político marcado
pela recente destituição da presidente Dilma Rousseff (PT), substituída por seu
vice Michel Temer (PMDB).
Fora da curva
O ministro da
Justiça, Alexandre de Moraes, afirmou que o atentado ocorrido na quarta-feira,
em Itumbiara, no sul de Goiás, se trata de um "lamentável ponto fora da
curva". Ele esteve em Goiânia para visitar o vice-governador e secretário
de segurança pública, José Eliton, que está internado na Unidade de Tratamento
Intensivo (UTI) do Hospital de Urgência Governador Otávio Lage, na da capital
goiana.
Alexandre de Moraes
estava acompanhado do diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello
Coimbra, e do governador em exercício, Hélio de Sousa. "Até o momento não
será necessária uma investigação federal do caso. Estamos dando o apoio
necessário", afirmou.
"Se houver
algum indicativo de crime político ou eleitoral haverá o deslocamento de
competências, mas continuaremos atuando em conjunto com a polícia local",
reforçou.