O governo já dá
como certa a abertura de um processo de impeachment contra Dilma Rousseff no
Congresso e montou um time de advogados e juristas para defender a presidente.
A decisão do Palácio do Planalto é recorrer ao Supremo Tribunal Federal assim
que algum requerimento solicitando o afastamento de Dilma for aceito pela
Câmara.
Em nova reunião
realizada ontem (11/10) com ministros, no Palácio da Alvorada, Dilma foi
informada de que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), comandará uma
“manobra” pró-impeachment.
A avaliação do
governo é de que, acuado após a denúncia do Ministério Público da Suíça
mostrando contas secretas atribuídas a ele e abastecidas com dinheiro desviado
da Petrobrás, Cunha vai pôr em prática o jogo combinado com a oposição para
atingir Dilma.
Por esse script, o
presidente da Câmara rejeitará, amanhã, o pedido dos juristas Hélio Bicudo e
Miguel Reale Júnior, propondo a deposição da presidente. A ideia, porém, seria
deixar o caminho aberto para que um deputado da oposição apresente recurso ao
plenário da Câmara. Nesse caso, ainda no roteiro idealizado por Cunha, esse
recurso poderia ser aprovado por maioria simples, composta por 50% mais um dos
deputados, com qualquer número de presentes à sessão.
O advogado Flávio
Caetano, coordenador jurídico da campanha de Dilma à reeleição, foi escalado
para coordenar a defesa da presidente na possível ação de impeachment. O
governo pretende contestar a questão do quórum para a abertura do processo pela
Câmara, uma vez que a Constituição exige dois terços dos parlamentares.
Na reunião de ontem
(11), os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça), Ricardo Berzoini (Secretaria
de Governo), Aldo Rebelo (Defesa) e o assessor especial Giles Azevedo traçaram
cenários para a presidente e disseram que a decisão do PSDB, DEM, PPS, PSB e
Solidariedade de divulgar uma nota pedindo o afastamento de Cunha do comando da
Câmara não passa de um jogo de cena. “Fizeram isso para dar satisfação às bases,
mas precisam dele para deflagrar o impeachment”, disse ao Estado um auxiliar
direto de Dilma. “É tudo combinado.”
Acordo
Ministros ainda
continuam conversando com Cunha, na tentativa de fazer um acordo com ele, mas
têm poucas esperanças. Uma das propostas consiste em segurar o PT para não
pedir a cassação do mandato do peemedebista no Conselho de Ética da Câmara, em
troca da salvação de Dilma.
No diagnóstico do
Planalto, o maior sustentáculo da presidente, agora, está no Senado, que pode
barrar o impeachment. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), é
aliado do governo.
Além de Caetano,
nomes de peso do meio jurídico, como Celso Antonio Bandeira de Mello, da
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), e Dalmo Dallari,
professor emérito da Universidade de São Paulo (USP), farão parte da equipe que
defenderá Dilma. O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Carlos Ayres Britto
também foi sondado para se juntar ao grupo.
Os juristas
prepararam pareceres para dar sustentação à defesa de Dilma. Documento assinado
por Bandeira de Mello e Fabio Konder Comparato diz que a reprovação das contas
do governo pelo Tribunal de Contas da União (TCU) não representa crime de
responsabilidade e, portanto, é insuficiente para embasar a abertura de um processo
de impeachment no Congresso.
Na semana passada,
diante da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de abrir uma ação de
impugnação contra a chapa formada por Dilma e pelo vice Michel Temer, Dalmo
Dallari também sustentou que o órgão não tem competência para cassar mandato de
presidente da República.