O Ministério da Integração Nacional publicou no
Diário Oficial da União (DOU) desta segunda-feira (19) decreto de situação de
emergência por causa da seca na cidade de Jaguaruana, Região doJaguaribe do Ceará. Com a inclusão de Jaguaruana, já
são 120 municípios cearenses com a situação reconhecida e homologada pelo
Governo Federal. Outras seis esperam para serem reconhecidas e homologadas pelo
Governo Federal. São elas: Itapiúna, Milagres, Nova Olinda,Pindoretama, Quixelô e Russas.
De acordo com o gerente de homologação da defesa
Civil do Ceará, o sargento Paiva Júnior, as autoridades de Jaguaruana pediram
abastecimento urgente de carro-pipa para a sede da cidade. "Estamos ainda
no aguardando para enviar o carro pipa para a cidade. No entanto, vamos
aguardar a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) agilizar o
abastecimento de água para cidade por meio de uma adutora. Caso a adutora não
resolva enviaremos um carro pipa o quanto antes", disse. Paiva Júnior
reforça que a situação nas outras seis cidades que esperam para serem
reconhecidas e homologadas também é crítica. O governo estadual já reconheceu
sitação de emergência em 126 cidades.
Período
de seca
No último dia 8 de agosto, em levantamento feito pela Fundação Cearense de Meteorologia
e Recursos Hídricos (Funceme) mostrou que nos últimos cinco anos, de 2012 a
2016, foram apenas 516 milímetros de chuva, em média, no Ceará. O índice
é o menor desde 1910. De acordo com o meteorologista Davi Ferran, vai ser
preciso conviver com a incerteza pelos próximos meses, já que ainda é cedo pra
afirmar se 2017 vai trazer chuva ou não.
“No período chuvoso do ano que vem, ou seja, março,
abril e maio, que é o período chuvoso principal, a maior probabilidade é que o
Oceano Pacífico não tenha El Niño nem La Niña. Vamos ter o Oceano Pacífico
neutro. Em anos de Oceano Pacífico neutro, a probabilidade de chuvas no Ceará
depende mais fortemente do Atlântico. Então a previsão vai ser divulgada somente
em janeiro”, explica.
Reservatórios
secos
Enquanto isso, segundo a Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh), os
reservatórios secam cada vez mais. No momento, o nível médio dos 153 açudes
monitorados pela Cogerh é de apenas 9,4% do volume total.O “Gigante” Castanhão,
responsável por abastecer toda a Região Metropolitana de Fortaleza, está com apenas 6% da capacidade. Bem perto dele, o Açude Orós, também na Região Jaguaribana,
sangrou em 2004 e 2008. Na época, virou até atração turística no Centro Sul do
Estado.
Agora em 2016, o Orós aparece nesse cenário de seca
em forma de ajuda. Desde julho, as águas do açude estão sendo transferidas para
o Castanhão. Segundo a Cogerh, essa água deve chegar às residências da Região
Metropolitana de Fortaleza em setembro, e garantir o abastecimento pelo menos
durante esse período de crise hídrica.