Dez instrutores dos centros socioeducativos do Ceará foram
presos na manhã deste domingo (15) em Fortaleza. Eles são acusados de terem
cometido crime de tortura contra jovens internos do Centro Socioeducativo São
Miguel, abrigados de forma provisória no Presídio Militar, em Aquiraz, Região
Metropolitana. O G1 tentou
falar com a Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS), mas ninguém
atendeu as ligações.
A prisão dos instrutores dos centros socioeducativos revoltou a categoria que segue nesta segunda-feira (16) com os serviços paralisados. Ainda no domingo, os socioeducadores se reuniram em frente à delegacia do Bairro Antônio Bezerra, onde os agentes estão presos. O mandato, expedido pela juíza de Aquiraz, alega que os presos praticaram tortura contra os adolescentes. A agressão teria acontecido na última sexta-feira. Os agentes informaram que eles se defenderam durante um motim.
“Após percebemos a confusão, no momento do plantão pela noite, chegamos
lá e não encontramos água no presídio militar. Há uma dificuldade imensa de se
trabalhar. Haviam apenas duas garrafas com água. Quando terminamos de liberar
água para eles, os adolescentes começaram a bater e incendiar os colchões. Eles
incendiaram todos os colchões, toalhas, blusa e tudo que servisse para colocar
fogo”, disse o socioeducador do São Francisco, Expedito Maciel.
Prisão dos agentes
As prisões aconteceram no início da manhã de domingo. O marido de Ana Holanda
estava em casa quando a polícia chegou. “Foi comunicado para eles que estavam
suspensos do trabalho. Os que tinham participado da sexta-feira não iam mais trabalhar.
Mais não tinham dito que eles iam ser presos. E que a partir das 5 horas da
manhã esse mandado eles iam recolher na casa de todos e recolher para trazer
para ser preso”, explicou.