O presidente da Câmara, Eduardo
Cunha (PMDB), disse acreditar que o processo de impeachment deve se resolver
até março do próximo ano na Casa. Ele lembrou que recebeu 38 pedidos de
impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT) ao longo deste ano,
rejeitou 31, aceitou um e ainda precisa apreciar os outros.
Em entrevista à TV Câmara, num
balanço do ano, Cunha disse que a Casa deverá continuar em ritmo acelerado de
votações e rebateu as críticas de que é responsável por colocar uma pauta
conservadora na Casa. Ele disse, por exemplo, ser contrário à alteração no
Estatuto do Desarmamento, aprovada em comissão especial na Casa, e disse que
precisaria avaliar melhor o texto do Estatuto da Família.
Conselho
de Ética
O peemedebista também falou do
processo por quebra de decoro parlamentar do qual é alvo no Conselho de Ética.
Ele repetiu que a admissibilidade da representação foi feita desrespeitando o
regimento e acusou os membros do Conselho de buscar exposição na mídia.
"Todos que estão envolvidos parecem querer protelar o processo para ter
mais espaço na mídia", afirmou.
Ele disse que ninguém dúvida do
conhecimento dele do regimento interno e que não vai se "constranger de
buscar" o direito à defesa.
Cunha também se disse vítima de
um processo político por ter vencido por maioria absoluta, em primeiro turno, a
disputa pela presidência da Câmara, em fevereiro.
Financiamento
privado
Defensor das doações de empresas
a campanhas políticas, o presidente da Câmara prevê um cenário de "caos
total", judicialização e caixa 2 no pleito municipal de 2016 por causa da
proibição do financiamento privado pelo Supremo Tribunal Federal.
"Não há como fazer o
financiamento de campanha como está agora", afirmou. "Seria melhor
fazer o financiamento público por listas partidárias", disse, ressaltando
que só o PT tem estrutura para fazer esse tipo de arrecadação, cobrando parcela
do ganho dos filiados com cargos públicos.
Lava
Jato
Na entrevista à TV
institucional, Cunha foi questionado sobre o que achava da Lava Jato, que
investiga desvio de dinheiro na Petrobras e na qual é um dos denunciados, e
aproveitou para criticar novamente o PT. "É bom deixar claro que a culpa
da corrupção na Petrobras é do PT e do governo do PT. Foi desvio para financiar
a permanência de um grupo no poder", afirmou. Na semana passada, as casas
e os escritórios de Cunha no Rio de Janeiro e em Brasília, além de endereços de
outros líderes do PMDB, foram alvo de busca e apreensão por suspeita de
envolvimento no esquema.
O peemedebista disse que a
Petrobras certamente será condenada a indenizar investidores nos Estados Unidos
e isso deve se refletir em novas ações no Brasil. "Corrupção custa caro e
contamina todo o processo. A Petrobras ficou praticamente insolvente",
afirmou.
Nelson
Barbosa
Cunha também comentou a troca no
Ministério da Fazenda. Segundo o peemedebista, Nelson Barbosa é mais hábil do
que Joaquim Levy para lidar com o Parlamento, mas tem o problema, que é a
sinalização para o mercado de que o comando da economia voltou para a
presidente Dilma Rousseff. "O mercado não confia na presidente liderando a
economia. Vai afastar investidores e fazer com que o dólar suba", afirmou.
"Pode ser que no médio prazo ele consiga recuperar a confiança se tiver
ações", ponderou.